CENTRO SOCIAL AMIGOS DA LARDOSA, CASTELO BRANCO

No nosso território os idosos vão morrendo e não há reposição de população

Em número de utentes, a grande diferença na instituição do concelho de Castelo Branco prende-se com a redução de idosos em Centro de Dia, pois eram 25 e atualmente apenas 10. De resto, para além do fecho da Cantina Social, a instituição mantém 33 utentes em ERPI, 24 idosos em SAD e ainda o serviço de refeições à escola primária e ao Pré-escolar público da aldeia. Para cuidar de toda esta gente, o Centro conta com uma equipa de 30 trabalhadores.
Há sete anos, o presidente de então, José Alves, apontava os poucos acordos de cooperação como um problema que desequilibrava as contas da instituição. E essa grande diferença encontrava-se, em especial, em Centro de Dia e SAD, que têm apenas, respetivamente, oito e sete vagas contratualizadas com a Segurança Social. E se o decréscimo de frequência em Centro de Dia acaba por atenuar o problema, a realidade do SAD é bem diferente.
“Os acordos de cooperação ainda são um problema, porque se tivéssemos mais acordos no SAD faria toda a diferença. Com o SAD há a questão dos gastos com o transporte, pois nós levamos a alimentação todos os dias, duas vezes ao dia, almoço e jantar. Depois, há uma outra equipa que faz a higiene, as limpezas da casa, etc.”, afirma Maria Amélia Alves, atual presidente da instituição, acrescentando acerca do Centro de Dia: “Apesar dos acordos agora não fazerem tanta diferença para o número de utentes como dantes, a verdade é que os utentes do Centro de Dia passam cá o dia inteiro, só não dormem à noite. Temos com eles praticamente os mesmos gastos que com um utente de ERPI”.
A grande redução na frequência do Centro de Dia “é uma tendência que já vinha antes da Covid”, porque Lardosa insere-se num território de baixa densidade e envelhecido.
“As pessoas têm de tomar consciência de que estamos no interior do país, num território muito envelhecido, onde as pessoas vão morrendo e não há reposição de população. Em ERPI, há uns anos os utentes eram todos da aldeia e agora já temos pessoas que não são da aldeia. Penso que isto se deve ao grande envelhecimento e isto vai ser um problema no futuro para as instituições. As pessoas vão morrendo e não fica ninguém”, afirma, preocupada, a presidente da instituição.
Esta realidade acabou mesmo por fazer cair um projeto que o Centro Social tinha há sete anos de transformar a sala do extinto ATL no novo Centro de Dia.
“Para esse projeto avançar as instalações tinham de ser totalmente adaptadas, mas face ao reduzido número de utentes para a resposta decidiu-se que não valia a pena. Neste momento, é um espaço que não está a ser utilizado”, conta, revelando que o projeto de mais um lar, recusado pela Rede Social no mandato do anterior presidente, nos dias que correm, é mais um “sonho”.
“O terreno já era e continua a ser da instituição e o projeto era para habitação colaborativa, o que implicava custos muito elevados. O projeto chegou a ser elaborado, mas faltou o capital. Mesmo com apoio financeiro seriam sempre necessários capitais próprios que a instituição não tem ou teria que recorrer à banca. Já não é tanto um projeto, é mais um sonho. Pode ser que venham pessoas mais audazes a seguir e avancem com o projeto”, afirma Maria Amélia Alves, acrescentando: “Estamos aqui numa zona complicada, até a nível de utentes, não está a ser fácil, porque cada vez há menos pessoas. Começa já a haver alguma dificuldade em preencher vagas”.
Ainda assim, a situação financeira da instituição, “felizmente, está bem”.
“Dá-nos alguma tranquilidade, porque, tal como nas nossas casas, é necessário não gastar tudo, pois pode surgir alguma eventualidade. Tem de haver sempre uma almofada para uma situação de emergência. Também vamos tendo alguns apoios, como da Câmara Municipal, mas não dá para fazer investimentos. Investimentos só na manutenção do equipamento, umas camas elétricas, uns ares condicionados ou umas pinturas no edifício, não dá para mais”.
E se “projetos de futuro não há”, o que existe é “uma grande preocupação, que tem vindo a agudizar-se, que são as demências”. “Mesmo aqueles utentes que já cá estão há muito tempo e entraram bem, com autonomia, atualmente já não estão. Dantes tínhamos três ou quatro pessoas com demência e o resto não, agora é o contrário. E não estamos preparados para isso, nem nós nem as instituições na generalidade. Nessa altura, em que cá esteve, não tínhamos acamados e agora temos várias pessoas acamadas”, sustenta Maria Amélia Alves, que argumenta ainda: “Fala-se muito agora que as pessoas devem estar o máximo de tempo possível em casa, e bem, mas quando chegam às instituições vêm num estado limite e as instituições não têm capacidade para lhes dar resposta. Ou, então, as ERPI têm de ser reformuladas para poder dar resposta a estas pessoas que chegam sem autonomia, dementes ou mesmo acamadas”.
E para a presidente da instituição “a incapacidade é financeira”: “Para o quadro de utentes que temos, devíamos ter, por exemplo, um psicólogo, mas não temos porque não podemos. Devíamos ter outros técnicos mais especializados na matéria, mas não temos capacidade financeira para contratar esse tipo de pessoal”.
E como seria a Lardosa sem o Centro Social?
“Seria o caos”, respondeu, há sete anos, o anterior presidente, José Alves. A atual presidente prefere lembrar que, “a nível do concelho, a Lardosa foi das primeiras terras a ter uma instituição” e isso “foi bom para os utentes, porque as pessoas da Lardosa não precisam de ir procurar apoio fora, foi bom para os trabalhadores, pois a grande maioria é da localidade e ainda é bom para a economia local”.

 

Data de introdução: 2024-05-09



















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