OPINIãO

O mesmo conflito, novos contornos - por A.J. Silva

Após alguns anos de impasse, reacendeu-se o conflito israelo-palestiniano, centrado desta vez, na chamada Faixa de Gaza. Não se trata, propriamente, de um confronto entre o governo de Israel e a Autoridade Palestiniana, mas de uma nova batalha entre o executivo de Telavive e os líderes radicais do Hamas que passaram a dominar aquele território palestiniano, depois da guerra civil travada contra os seus “irmãos” da Fatah em 2006.
Esta nova batalha, que tudo indica estar para durar, teve um início violento: já fez dezenas de vítimas entre mortos e feridos e provocou um rasto de destruição, nomeadamente no lado palestiniano. Alegando ter sido atacado primeiro e inesperadamente por mísseis do Hamas lançados sobre o seu território, Israel respondeu com um primeiro raide da sua força aérea, atingindo e matando o chefe militar daquele movimento que seguia num carro pela cidade de Gaza. O ataque israelita provocou uma reacção extremamente emotiva e violenta do Hamas que deixou no ar uma ameaça muito séria de levar o inferno ao território israelita.
Estava criado o clima propício a uma guerra que se vem juntar a outras que principiaram mais ou menos do mesmo modo, e que não levaram a qualquer solução política, susceptível de trazer a paz e a estabilidade àquela região. Tudo isto acontece numa altura em que a Autoridade Palestiniana anuncia o seu propósito de levar à ONU um requerimento que visa a aceitação da Palestina como membro das Nações Unidas, embora, para já, com o estatuto de Observador.
Para evitar que o próximo passo seja o requerimento do estatuto de membro de pleno direito, o governo de Telavive já tornou clara sua oposição a uma tal pretensão da Autoridade Palestiniana, fazendo realçar ainda que tudo fará para garantir, nesta altura, a segurança dos seus cidadãos. E todos sabemos o que isso significa na linguagem judaica.
Aparentemente, o governo israelita está convencido da sua capacidade de responder a todas as ameaças, quer do ponto de vista militar, quer político. Do seu lado, conta sempre com o apoio dos Estados Unidos e de quase todas as potências ocidentais, embora em graus diferentes. O problema é que o Egipto já tornou público o seu propósito de afirmar a sua independência face à política americana quanto a este e outros problemas. Nem Washington nem Telavive podem contar com a compreensão ou com o receio que Mubarak foi demonstrando ao longo de todas as crises do Médio Oriente. E isto muda muita coisa.

A.J. Silva

 

Data de introdução: 2013-02-08



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Estado e Sociedade - complementaridade e cooperação
As relações entre o Estado e as diferentes Organizações da sociedade civil têm sido alvo de muitos debates, mas permanecem em muitas mentes algumas...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...