SÃO 1500 EM TODO O PAÍS

Cerca de metade dos Centros de Dia abriu mas as frequências foram muito reduzidas

Os Centros de Dia foram autorizados a funcionar a partir do dia 15 de agosto, mas uma grande dessas valências para idosos mantém as portas fechadas por ainda não reunir as condições exigidas para receber os utentes em contexto de pandemia.

Estima-se que no início de setembro seriam cerca de metade dos mais de 1.500 Centros de Dia que existem em todo o país. “Numa apreciação global, terão sido cerca de metade dos Centros de Dia de Instituições filiadas na CNIS e na União das Misericórdias a abrir as suas portas. Nesses casos com uma frequência que não terá atingido os 50% da sua capacidade. A outra metade não podia abrir portas porque algumas das suas instalações eram partilhadas com outras valências. Nessas, está a ser desenvolvido todo um trabalho para assegurar uma frequência nas melhores condições. Inclusivé, com o aval da Saúde e da Segurança Social e com a garantia do necessário distanciamento”, explica o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.

No tempo em que não seja possível voltar a receber os utentes será assegurado o apoio domiciliário. De resto, em muitas IPSS, sobretudo no interior do país, essas valências têm uma importância essencial para a qualidade de vida dos utentes idosos.  Por isso, Lino Maia diz que a reabertura, mesmo nas atuais circunstâncias, era imperiosa. “Bastaria que abrisse um só Centro de Dia que já consideraria positivo. Mas, nas circunstâncias que nos molestam e com os cuidados necessários e adotados, abriram bastantes. Com uma frequência numericamente reduzida – também o mês de agosto não é de grande frequência dos Centros de Dia. Mais do que ninguém, os idosos sofrem as dores de uma solidão que mata… É verdade que muitos idosos que eram frequentadores dos Centros de Dia, nestas circunstâncias, tinham apoio domiciliário prestado pelas Instituições. Mas, não é a mesma coisa estar em casa e receber alguns apoios ou poder conviver e receber os mesmos apoios e outros serviços numa Instituição.”

Quase seis meses depois do encerramento por causa da pandemia os Centros de Dia começam a voltar à normalidade possível, cumprindo todas as regras de segurança implementadas pela Direção-Geral de Saúde. “As autoridades de saúde e a Segurança Social forneceram orientações. A CNIS e as outras organizações do Sector (União das Misericórdias, União das Mutualidades e Confecoop) divulgaram essas orientações e desenvolveram ações de formação. As Instituições estão a cumprir. Claro que com muitas dificuldades: os equipamentos de proteção individual estão a faltar e são excessivamente caros, nem todas as Instituições estão dotadas dos transportes adequados, escasseiam os trabalhadores, os distanciamentos dificilmente são assegurados, as dificuldades estão agravadas e progressivamente mais custosas. Mas, o panorama é francamente positivo. Muito graças aos excelentes dirigentes que se dedicam nas Instituições e sofrem as dores dos seus utentes e graças aos trabalhadores que têm dado sublimes provas de sacerdotal dedicação…”

A partir de 15 de setembro o país voltará ao Estado de Contingência. Ainda não se sabe se, por causa dessa medida cautelar do governo, pode haver retrocesso na abertura dos Centros de Dia. O presidente da CNIS não é favorável a essa possibilidade: “Pela experiência e conhecimento que tenho, penso que não é por aí que devemos enveredar no eventual retrocesso. Os idosos não são o problema: merecem todo o esforço da comunidade para não serem abandonados.”

 

Data de introdução: 2020-09-11



















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