ROCK IN RIO LISBOA 2012

Por um Mundo melhor

É tido como o maior evento de música e entretenimento do Mundo e, desde 2001, faz-se valer disso para, sob o lema «Por um Mundo melhor» estender a sua acção à solidariedade social e, mais recentemente, à sustentabilidade ambiental.
Foi Roberto Medina, fundador do Rock in Rio que, ciente do potencial de comunicação do evento, viu uma janela de oportunidade para instituir um Projecto Social, que em oito edições, ao longo dos últimos 11 anos, já investiu quase 12 milhões de euros em diversos projetos sociais e ambientais.
Este ano, na preparação de mais uma edição lisboeta do Rock in Rio, a organização promoveu a Gincana Rock in Rio, um desafio a 572 escolas portuguesas, em que participaram 445.506 alunos e 51.915 professores. Resultados: 180 mil euros angariados e quase um milhão de euros de poupança na factura energética das escolas em apenas cinco meses. Mas há mais… euros!
“O Rock in Rio, logo no lançamento da campanha da Gincana, garantiu 100 mil euros de doação para bolsas de estudo na área de música, dando continuidade a um trabalho que fizemos no Brasil, no ano passado, que é apostar na música como forma de formação do jovem e da criança e não como busca de talento”, começou por explicar, ao SOLIDARIEDADE, Roberta Medina, responsável máxima pela organização do evento, esclarecendo: “Esse é o nosso olhar e as bolsas são para jovens com dificuldade de adaptação na escola, de relacionamento com os outros e com problemas financeiros”.
Mas, para Roberta Medina, a grande acção foi desenvolvida pelos alunos das 572 escolas: “Com a Gincana, os alunos angariaram mais 180 mil euros, dos quais 18 mil ficaram para as próprias escolas, com o compromisso de elas próprias decidirem que acções sociais gostariam de apoiar. Algumas optaram por compra de material escolar, alimentação para alunos que não podem pagar e outras iniciativas… São valores simbólicos, mas há projectos muito interessantes”.
Com os outros 262 mil euros, a SIC Esperança, em parceria com o Rock in Rio Lisboa, o Ministério da Educação e Ciência e Associação EPIS - Empresários Para a Inclusão Social, atribuiu em 16 escolas do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário de nove distritos e das Regiões Autónomas bolsas a 605 jovens. As bolsas, que terão dois anos de duração, destinam-se ao ensino da música e à aquisição de instrumentos musicais, com objetivo de usar os benefícios da aprendizagem da música na educação e formação de jovens em situação de risco, incentivando-os a uma melhoria no seu desempenho escolar.

DAR VOZ A QUEM NÃO A TEM

Mais do que as doações que o Rock in Rio faz, são as mudanças de atitude e a visibilidade que determinadas instituições ganham a maior mais-valia das acções do Projecto Social.
“O Rock in Rio, acima de tudo, é uma plataforma de comunicação. Temos os nossos investimentos nas várias iniciativas, mas, acima de tudo, é usar essa máquina de comunicação para dar voz a causas que, em geral, as pessoas não estão disponíveis para pensar”, sustenta Roberta Medina, exemplificando: “Tivemos uma acção com a ACAPO [Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal], em 2006, na qual montámos sete salas sensoriais para preparar crianças e adultos invisuais para terem uma vida mais independente… É algo simples, mas que faz uma grande diferença na vida destas pessoas. Agora, o que mais me marcou foi o agradecimento da ACAPO pela visibilidade… O número de pessoas com problemas de visão em Portugal é brutal e a ACAPO tem capacidade para assistir as pessoas, mas não sabem onde elas estão, porque as pessoas e as famílias têm vergonha e com aquela acção na ACAPO sentiram que, tratando do caso com naturalidade e de forma leve, as pessoas começam a quebrar essas barreiras… E é nisso que nós podemos ajudar”.

COMIDA PARA QUEM PRECISA

Para além deste tipo de acções, na edição deste ano, o Rock in Rio Lisboa associou-se a duas instituições (Re-food e Dariacordar) numa iniciativa pioneira contra o desperdício e a gestão das sobras alimentares. Assim, nos cinco dias do evento, a Dariacordar e a Re-food recolheram refeições não utilizadas no evento e encaminharam-as para famílias carenciadas, através de instituições de solidariedade social locais e da Junta de Freguesia de Marvila.

DIA DA CRIANÇA ESPECIAL

Por outro lado, e porque o arranque do segundo fim-de-semana do evento coincidiu com o Dia Mundial da Criança, a Fundação Luís Figo levou até à Cidade do Rock, denominação atribuída ao Parque da Bela Vista que acolhe o evento, quatro centenas de crianças e jovens carenciados, para que desfrutassem de tudo o que ali há de música e entretenimento (montanha-russa, roda gigante e slide, entre outros). O grupo entoou o hino do Rock in Rio e formou um cordão humano para receber os primeiros visitantes do dia. Um dia diferente e inesquecível para este grupo de crianças, que de outra forma não teria possibilidade de experienciar algo tão desejado pelos mais novos. E diga-se que nesse dia 1 de Junho eram muitas, mas mesmo muitas, as crianças presentes no Rock in Rio.
Questionada sobre qual a mais-valia destas acções para o Rock in Rio, Roberta Medina é bem clara: “Quem trabalha no Rock in Rio tem uma satisfação pessoal que é difícil de explicar, mas é muito bom trabalhar num projecto que dá um pouco de si para a sociedade. Isso é muito bom, para além de gerar emprego e ter impacto na economia, tem um extra e uma satisfação muito bacana e sinto que a equipa toda sente da mesma forma. Depois, tem o lado da marca, que é um conjunto de conceitos e de valores com que as pessoas se identificam. E é uma mais-valia para a marca Rock in Rio ter esse tipo de compromisso social”.



Pedro Vasco Oliveira (texto)

 

Data de introdução: 2012-06-05



















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