III ENCONTRO DAS IPSS DO ALENTEJO

Instituições querem uma cooperação convergente e concertada com o Estado

Com a realização do III Encontro das IPSS do Alentejo, que decorreu em Évora, a centena de instituições presentes lançaram olhos ao futuro da solidariedade social nos quatros distritos alentejanos (Portalegre, Évora, Beja e Setúbal) que compõem a região.
Organizado pela União Distrital das IPSS de Évora, cujos novos órgãos sociais tomaram posse no decorrer dos trabalhos, o encontro debruçou-se sobre o tema «Cooperação – Via de Concertação e de Impacto Social».
Para Tiago Abalroado, presidente da UDIPSS Évora, o encontro foi multitemático e acabou por ser um espaço de em que “houve oportunidade para as instituições intervirem e colocarem questões aos oradores, mas também para conviverem um bocadinho”.
Era vasto e rico o painel de oradores, subdivididos por três grandes temáticas: «O lugar do Estado no caminho da Cooperação» (por Luís Morais e Sónia Ramos, ambos antigos diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Évora; João Carlos Dias, presidente adjunto da CNIS; e Tiago Abalroado, presidente da UDIPSS Évora), «Os desafios da Cooperação – Agora e no Futuro» (por Simões de Almeida, advogado e antigo secretário de Estado da Segurança Social) e «Mais concertação e impacto social» (por José Alberto Pitacas, da Associação Mutualista Montepio/CIRIEC Portugal; Sílvia Machado, coordenadora do MBA em Direção Técnica/Serviços nas Organizações Sociais (ANGES/ISCAC); Filomena Bordalo, assessora da CNIS; e Filipe Almeida, presidente do Portugal Inovação Social).
Tiago Abalroado resumiu, para o SOLIDARIEDADE, as conclusões deste III Encontro das IPSS do Alentejo, destacando:
- As instituições sociais em Portugal representam, pelas suas natureza e capilaridade e pelo seu fortíssimo impacto junto das comunidades, uma fonte desafogada de valor económico e social que abrange e envolve os vários atores da sociedade na promoção do desenvolvimento humano, da justiça e do bem comum;
- Nos últimos tempos tem-se assistido ao que parece ser uma tentativa de moldagem da opinião pública contra as instituições sociais, pondo em relevo algumas das suas fragilidades e colocando em causa o papel que constitucionalmente lhes está confiado;
- Estamos notoriamente perante um intento de se fazer tomar o todo pela parte provocando uma miopia aguda e intencional sobre uma realidade que é multissecular na sociedade portuguesa e que nos vários momentos de crise tem sido capaz de, sendo fiel à sua missão, servir de suporte e amparo aos cidadãos;
- O fator crítico e determinante para o sucesso de qualquer instituição social, agora e no futuro, será a detenção de uma forte capacidade organizativa que lhe permita compreender e responder eficazmente aos problemas sociais emergentes, que seja aberta à constante reinvenção de práticas e à atualização de estratégias e centrada em critérios transparentes e rigorosos de gestão de recursos;
- Ao Estado cabe assumir-se como agente verdadeiramente corresponsável pela ação social desenvolvida no território nacional por intermédio das instituições e não a tarefa de ser um polícia que, na sombra, espera pela transgressão para a seguir aplicar uma coima;
- Ao Estado compete ser um parceiro permanente e horizontal, que ampara e identifica vias de atuação concertada e não uma instância puramente tutelar que olha de cima para baixo na expetativa de encontrar ações ou iniciativas que contrariam a norma;
- À relação de cooperação (Estado vs IPSS) exige-se a cultura da concertação e da convergência. Dela espera-se uma aliança leal, expurgada de outros interesses e estritamente focada no bem-estar das comunidades e na supressão das lacunas que assolam os mais pobres, os marginalizados e os que estão sós.
A este propósito, o líder da União Distrital de Évora reforçou a ideia da “importância que é a responsabilidade do Estado no processo de cooperação, da relação horizontal entre as instituições e o Estado, sem haver sobrancerias, sem haver autoritarismo”.
Na sessão de encerramento e na tomada de posse dos órgãos sociais da UDIPSS Évora para o quadriénio 2019-2022, estiveram presentes João Penetra, presidente da Mesa da Assembleia da UDIPSS Évora, que deu a posse, o cónego Silvestre Ourives Marques, em representação do Arcebispo de Évora, e ainda José Ramalho, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Évora.
Os trabalhos foram ainda abrilhantados pelas atuações de dois grupos corais, um de uma IPSS e outro dos trabalhadores da Segurança Social.

 

Data de introdução: 2019-01-16



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Estado e Sociedade - complementaridade e cooperação
As relações entre o Estado e as diferentes Organizações da sociedade civil têm sido alvo de muitos debates, mas permanecem em muitas mentes algumas...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...