OPINIÃO

Muros que resistem

No final da segunda guerra mundial, a zona norte da península da Coreia estava ocupada pela China, e a zona sul pelos Estados Unidos. Quando se tornaram independentes, em 1948, cada uma das suas metades da península adoptou o regime político dos seus ocupantes: a Coreia do Norte tornou-se um estado comunista, aliado da China, e a Coreia do Sul um estado democrático, aliado dos americanos.

Quando o regime do Norte pretendeu dominar o sul da península, o governo dos Estados Unidos, com o apoio da ONU, saiu em defesa dos seus aliados do Sul, e começou a chamada guerra da Coreia. Uma guerra sangrenta que durou de 1950 a 1953, e que terminou com a celebração de um armistício, marcado por uma instabilidade que permaneceu até aos dias de hoje. Com avanços e recuos, o caminho para uma paz autêntica na península da Coreia teima em não se afirmar.

Sobre as duas Coreias caiu, em 1953, um “muro” que deixou famílias acantonadas de um lado e de outro da nova fronteira, sem possibilidade de se verem ou reencontrarem. Durante mais de cinquenta anos, o governo do norte foi absolutamente inflexível na defesa desta separação, o que significava a proibição de qualquer contacto dos seus habitantes com os do sul, mesmo daqueles que tinham pais, filhos, irmãos ou outros parentes, para lá da fronteira. Nos últimos anos, e quando interessa aos governantes do norte, lá se abre uma excepção, mas logo se aperta a torneira de “generosidade”.

Escolhidos a dedo, alguns coreanos do sul, vão ter agora o privilégio de reverem familiares muito próximos com quem não puderam contactar durante mais de meio século. Esses poucos conservam consigo fotografias dos tempos já distantes em que viveram juntos, não tendo agora uma ideia segura de como serão hoje aqueles que amavam e que desapareceram forçadamente da sua vida. É como nascer de novo, afirmou um deles a um jornal. Mas a alegria do encontro será breve, porque dura apenas o tempo definido por quem é senhor da vida dos outros. E esse tempo é muito curto.
Nos últimos anos, assistimos à queda de muitos muros. Também o “muro” que divide as duas Coreias há-de ruir. Mas, para muitos, a queda já não chegará a tempo…

Por António José da Silva

 

Data de introdução: 2009-10-20



















editorial

A IMPORTÂNCIA ECONÓMICA DAS IPSS

Há dados sobre as IPSS bem conhecidos: em 31 de dezembro último, contando naturalmente com as regiões autónomas, entre associações (3.121), cooperativas (50) e fundações (329) de solidariedade social, centros sociais...

Não há inqueritos válidos.

opinião

PADRE JOSÉ MAIA

Europa: Quem te viu e quem te vê...
Escrevo esta crónica num dia em que os líderes dos 28 países da União Europeia tiveram de fazer um longo serão para poderem redigir um documento político de...

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Migrações e crises políticas
Desde a sua criação, já foram muitas as crises que ameaçaram o progresso e a estabilidade da União Europeia. Algumas dessas crises obrigaram à...