ASSOCIAÇÃO BEM-ESTAR INFANTL DE SANTA CLARA

Crescer a olhar o azul do Atlântico

Nos arredores da cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, ergue-se a Associação de Bem-Estar Infantil de Santa Clara, uma instituição particular de solidariedade social com um quarto de século de existência. Como o próprio nome indica está vocacionada para a infância, com as valências de creche e jardim-de-infância. Num espaço amplo, os 75 meninos e meninas que a frequentam estão distribuídos pelas diversas salas e entregues aos cuidados de 24 trabalhadores, entre educadoras, auxiliares de acção educativa, cozinheiro, entre outros. Todas as salas têm acesso a um enorme recreio relvado, ladeado por muros que escondem o azul do oceano Atlântico, mesmo ali a poucos metros.

A instituição nasceu com a extinção de uma antiga associação de trabalhadores, a Obra Social de Trabalhadores da Administração Pública (OSTRAP), no início da década de oitenta. “Os pais, que já tinham os seus filhos na creche da OSTRAP resolveram criar uma instituição que os acolhesse e lhes desse boas condições”, explica Luís Melo, actual presidente da IPSS e trabalhador da associação há mais de 20 anos. Situada perto da maior cidade do arquipélago, a Associação tem uma procura muito grande, uma vez que há falta de infra-estruturas de creches na ilha de São Miguel, segundo dados avançados pela Secretaria Regional dos Assuntos Sociais. “Temos sempre lista de espera”, diz Luís Melo, que refere que a admissão de crianças é feita em parceria com o Instituto de Acção Social (IAS), mas que, em termos percentuais, só conseguem dar resposta a cerca de “25 por cento dos pedidos anuais”.

Esta falta de infra-estruturas para a infância tem sido colmatada pelo Governo Regional através de uma rede de amas em funcionamento na ilha e que dá resposta a parte das carências neste sector. “As instituições particulares de solidariedade social assumem a tutela em termos administrativos e financeiros das amas, mas estas recebem um acompanhamento activo do IAS”. Apesar da Associação de Santa Clara não ter nenhuma ama sob a sua tutela, o presidente reconhece a necessidade da existência desta rede, principalmente “nas comunidades mais rurais, onde, por vezes, não se justifica a implementação de uma creche”.

Com um horário das 8 da manhã às 18,30h, o rebuliço dos carros a entrar e sair dos portões é constante, à mistura com as brincadeiras e correrias das crianças. A Associação não oferece nenhuma das actividades que começam a fazer parte de forma generalizada em instituições similares noutros pontos do país, como por exemplo, o inglês, a natação ou a informática. “Não temos recursos para implementar esse tipo de actividades”, justifica Luís Melo e acrescenta que estão a aguardar que “haja da parte do Governo uma obrigação nesse sentido, com garantias, para que depois iniciemos essas respostas”.

A formação do corpo de trabalhadores também tem estado a cargo do IAS e dos sindicatos, porque, segundo Luís Melo, a associação não tem “estruturas, nem reúne condições para dar formação aos seus trabalhadores”. Apesar disso, a instituição tem oferecido alguns programas de sensibilização, pelo convite de técnicos especializados em áreas diversificadas como a Higiene e Segurança no Trabalho, Psicologia da criança, entre outras.

As actividades diárias giram em torno da idade das crianças e do plano educativo estipulado para cada uma das salas, sendo que as datas de festa habituais do calendário, são também datas para comemoração na instituição, com grande interacção dos pais e familiares. Frequentada por meninos e meninas de todas as classes sociais, a comparticipação dos pais nas despesas de educação dos filhos é calculada em função do seu rendimento per capita e segundo uma tabela oficial de comparticipações que pode variar, na creche, dos 6,5 euros até aos 200 euros, valor máximo que desce na valência de jardim de infância para 125 euros. “Aqui, acolhemos todas as crianças de qualquer estrato social, uma vez que a selecção é feita em função da necessidade de cada família e com a supervisão do Instituto de Acção Social”, explica o presidente. Alheios a estas burocracias e depois do lanche da tarde, os meninos anseiam a abertura das portas das salas para o grande recreio solarengo e é vê-los a correr para os baloiços ou para o escorrega.

 

Data de introdução: 2008-03-09



















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