FUNDAÇÃO DR. JOSÉ LOURENÇO JÚNIOR, POMBAL

Aproveitar as novas tecnologias para melhor apoiar os idosos

Fica em Abiul, localidade do concelho de Pombal e que alberga a mais antiga praça de touros portuguesa, e foi criada, em 1992, por vontade de José Lourenço Júnior e por abnegado empenho de Alberto Vaz Serra e Esmeraldo Cunha, presidente e administrador secretário, respetivamente.
A Fundação Otília Pessoa Murta Lourenço e marido Dr. José Lourenço Júnior, com a qual o benemérito também quis criar para homenagear a esposa, tem preocupações, essencialmente, com os idosos e é nessa área que desenvolve a sua atividade. No entanto, a sua intervenção na comunidade têm-na feito tocar outras faixas etárias, em especial as mais novas.
“Sem descendência, José Lourenço Júnior entendeu que queria deixar em Abiul o seu legado e, sendo a principal missão da Fundação o acolhimento à terceira idade, quis também que o lar tivesse o nome da esposa, daí Lar Otília Lourenço”, explica Isabel Vaz Serra, vogal do Conselho de Administração.
“A missão da Fundação é o apoio à terceira idade, seja com esta estrutura que já tem 17 anos, seja pelo apoio à comunidade naquilo que são uma série de atividades e de componentes que possam melhorar a comunidade em geral”, nota a dirigente, acrescentando: “O apoio à população é feito através do Lar Otília Lourenço, com as três valências: Estrutura Residencial, Serviço de Apoio Domiciliário e Centro de Dia”.
Atualmente, a Fundação alberga 37 utentes em ERPI, acolhe 10 idosos em Centro de Dia e apoia 27 pessoas através do SAD.
Por vontade do fundador, o apoio é essencialmente feito às “pessoas da freguesia de Abiul”, mas para além dessas, a instituição trabalha com pessoas de freguesias vizinhas.
Apesar de grande parte da sua vida ter sido feita fora da terra Natal, José Lourenço Júnior escolheu Abiul para deixar o seu legado e apoiar a população que o viu nascer e crescer.
Nascido em 1902, o benemérito, segundo resenha escrita pelo próprio, “queria ser médico ou advogado, mas o pai não tinha meios financeiros para lhe dar o curso. Foi falar com o avô, o Sr. Morgado da Fonte Fria (Freixianda) que lhe disse que só o ajudaria se ele quisesse ser padre, porque os médicos «matam as pessoas e os advogados são ladrões!». Resignado, desistiu”.
Iniciou, então, uma primeira carreira, começando por trabalhar em uma farmácia em Abiul.
Mais tarde, com o sonho de ser advogado concretizado, José Lourenço Júnior desenvolve uma carreira de sucesso entre o Brasil e Lisboa e, já com 90 anos de idade, faz nascer a Fundação que perpetua o seu nome e o da esposa. Falecido cinco anos mais tarde, não veria a sua obra edificada.
“Ele chegou a um determinado momento da sua vida em que, não tendo nenhum descendência direta, quis deixar uma marca, um legado importante para a população, para que esta se recordasse dele. Apesar de ter estado muitos anos fora no Brasil e ter desenvolvido a sua carreira profissional em Lisboa, acabou por não se esquecer da terra que o viu nascer e o apoiou”, conta Isabel Vaz Serra.
“Inicialmente era apenas o lar, que surgiu no ano 2000 com a construção do edifício, depois em maio de 2001 arrancou o SAD e passado pouco tempo abriu o Centro de Dia”, recorda Luísa Conceição, diretora-técnica e na instituição desde o seu arranque.
Tal como em muitas instituições a frequência da resposta de Centro de Dia é muito pequena face à capacidade da mesma. No caso da Fundação de Abiul, a capacidade é para 21 pessoas, tem 10 utentes e apenas cinco vagas com Acordo de Cooperação.
“Há fases em que há mais procura, outras nem por isso. Acho que tem mesmo que ver com a necessidade das pessoas. Pessoalmente, penso que é uma resposta muito interessante, tanto para dar vida aqui à estrutura do lar, como as pessoas acabam por conviver com outras da mesma idade e vão ficar na caminha delas, que é o que sempre querem”, relata a diretora-técnica, acrescentando: “Por vezes, o SAD já não é tão bom, porque há lugares muito dispersos e as pessoas ficam muito tempo sozinhas. Aí, o Centro de Dia seria uma melhor resposta. Mas vir para o Centro de Dia é como vir para o lar e combater aquela imagem do lar que as pessoas têm é uma batalha… Há ainda um grande estigma com o lar!”.
Porém, após experimentarem… “Quando começam a vir ao Centro de Dia dizem que já deviam ter vindo há mais tempo. Não há ninguém que tenha vindo e que diga outra coisa”, conta, alertando: “A maioria das pessoas que apoiamos no domicílio está só. Há algumas pessoas que têm apoio familiar, mas a maioria os familiares são emigrantes”.
Para Isabel Vaz Serra nota-se um aumento de procura do SAD, “o que reflete a necessidade que as pessoas têm vindo a sentir e a aceitação de ajuda para quem está em casa”, o que também se deve “ao bom trabalho que a Fundação tem feito”, por isso, constata com satisfação: “Somos recomendados na comunidade. E muitas vezes os utentes de SAD são convidados para algumas atividades na instituição. Procuramos que haja um maior envolvimento apesar de serem utentes de SAD”.
Ao contrário do que muita gente pensa, as Fundações não são todas endinheiradas.
“Fazemos também parte do Centro Português de Fundações, que engloba vários tipos de fundações. A ideia geral é que há um estigma associado à palavra fundação. O que é um profundo erro, porque, no nosso caso, somos uma IPSS, logo temos que nos reger, tal como as outras IPSS, pelas regras da Segurança Social e somos uma instituição que tem apenas este estatuto porque o seu fundador assim quis. Há muito esse estigma, porque as pessoas põem tudo no mesmo saco, mas há fundações muito diferentes e de dimensões muito diferentes”, aclara Isabel Vaz Serra, referindo a propósito das finanças da instituição: “Primeiro, quero dizer que a Fundação não recebe qualquer apoio do Estado e que os Acordos de Cooperação são um apoio do Estado aos utentes, não são para benefício da instituição. A Fundação só consegue sobreviver se tiver receitas para cobrir as despesas. Agora, como conseguimos estar aqui e continuar a prestar um bom serviço? Com uma rigorosa gestão por parte da equipa no controlo de custos, seja nos fornecedores, sem nunca descurar a qualidade, e com uma gestão cuidadosa dos encargos gerais desta máquina. Temos vindo a apostar na eficiência energética, com uma série de medidas que trazem conforto, mas que ajudam na redução dos custos. Têm sido investimentos que têm sido feitos para conseguirmos um melhor controlo da despesa. Os recursos humanos são o maior consumo, tal como em qualquer instituição, pelo que isto é feito com uma gestão muito cuidadosa”.
A este propósito, Luísa Conceição sublinha que “ao fim de 17 anos foi oferecida, pela primeira vez, uma carrinha à Fundação, no caso pela Câmara Municipal”, e deixa uma crítica: “A Segurança Social também deveria ter em conta o que funciona bem. Deveria premiar que faz bem as coisas, até para motivar as pessoas e as instituições”.
Recentemente, a Fundação Dr. José Lourenço Júnior aderiu ao Ageing Coimbra.
“O Ageing Coimbra é um consórcio liderado pela Universidade de Coimbra e torna-se relevante para nós por ser uma rede entre instituições, conhecimento e mundo real. Esta rede de conhecimento permitir-nos-á estar integrados com outros parceiros para que possamos vir a acolher algumas iniciativas, especialmente a nível tecnológico, que depois possamos incorporar no nosso funcionamento”, começa por referir a dirigente, acrescentando: “Integrar este projeto tem que ver com a perspetiva de trabalhar para o futuro. Por um lado, entendemos que os nossos utentes estão a mudar e vão continuar a mudar, ou seja, os utentes de amanhã vão ter características diferentes dos de ontem e dos de hoje. E queremos preparar-nos para no futuro estarmos aptos a trabalhar com essas pessoas. Nesse sentido, temos procurado estar a par e envolver-nos em iniciativas que tragam as novas tecnologias para a oferta de serviços e queremos preparar-nos para isso”.
Nesse sentido, a Fundação estabeleceu uma parceria com uma start up tecnológica de Braga que permite aos utentes realizar alguns jogos e puzzles e outras interações através de uma aplicação informática muito simplificada e cuja adesão tem sido crescente.
“Naquilo que pudermos estar presentes nestas novas iniciativas entendemos que é o caminho, inclusivamente para diversificarmos a nossa oferta de serviços, nomeadamente a nível do SAD, porque temos uma grande dispersão de utentes pelo território. A nossa entrada neste consórcio é muito positiva por aquilo que se perspetiva”, sublinha Isabel Vaz Serra, que sobre outros projetos diz haver o desejo de humanizar as instalações.
“Um dos projetos que queremos implementar, a ver se conseguimos ainda este ano, tem que ver com uma necessidade de humanização das nossas instalações. Queremos ter alguns espaços o mais acolhedores possível para aqueles utentes mais debilitados física ou mentalmente. E gostaríamos de intervir ao nível do espaço exterior que tem um jardim muito interessante, mas precisamos de um qualquer apoio para o fazer e torná-lo mais atrativo e terapêutico para os nossos utentes”, revela a dirigente, que recorda o primeiro lugar no Prémio Maria José Nogueira Pinto 2016, “com um projeto virado para a comunidade, que é o Centro de Inclusão Digital”.
Sobre a importância da Fundação na comunidade de Abiul, Luísa Conceição não tem dúvidas: “A Fundação tem um papel muito importante em Abiul. Há muita gente formada devido às bolsas de estudo da Fundação e houve ainda a parte da aprendizagem de música, que também foi muito importante. Antes das AEC, a Fundação proporcionava aulas de Inglês às crianças da Escola Primária. Havia o rancho folclórico… Agora há muita resposta para estas necessidades, mas quando a Fundação surgiu nada havia. Isto para além de tudo o que tem feito pelos mais idosos”.

 

Data de introdução: 2018-02-08



















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