CENTRO SOCIAL DO VALE DO HOMEM, VILA VERDE

Instituição chega a Braga e lança três novos grandes projetos

Sedeado em Vila Verde, o Centro Social do Vale do Homem (CSVH) tem ambições maiores e a escolha do nome deu logo esse sinal.
“O nome Vale do Homem tem que ver com o rio Homem que faz fronteira entre Vila Verde e os concelhos de Amares e de Terras do Bouro”, explica Jorge Pereira, presidente da Direção.
“O CSVH nasce porque sentíamos que esta zona do Vale do Homem tinha uma taxa zero em equipamentos sociais. Então, criámos a associação com intuito de fazer o trabalho social, abrangendo logo os três concelhos, em especial a zona do Vale do Homem”, acrescenta.
Fundada em 2006, a instituição viu ser-lhe reconhecido o estatuto de IPSS passados dois anos, altura em que a única atividade que tinha era ainda e só o Grupo Folclórico do Vale do Homem, que atualmente integra cerca de 70 elementos, entre gente da Associação e da Direção e outros associados.
O crescente envelhecimento da população e a inexistência de respostas foi o clique que fez nascer o CSVH. No sentido de criar infraestruturas para implementar as respostas de ERPI e SAD, em 2009 a instituição candidata-se ao POPH, após estabelecer uma parceria com a Câmara Municipal e a Igreja, através da qual conseguiu o terreno para a edificação do Centro Social.
A obra arrancou em 2012, o lar abriu em 2013 e “três meses passados estava cheio”. Um ano depois o SAD iniciou atividade.
Jorge Pereira explica que a instituição “tem lista de espera nas duas respostas, porque há uma grande necessidade neste território”.
E, por isso mesmo, a instituição deu logo início a um novo projeto, o Lar das Termas, situado na freguesia de Caldelas, concelho de Amares, que abriu em junho do corrente ano e que, “apesar de não ter acordos de cooperação com a Segurança Social, já está cheio”. Construído com recurso a crédito bancário, o novo equipamento funciona em regime semiprivado – “Não cobramos o que cobram os privados, mas cobramos mais do que aos utentes do lar do Centro Social, porque ainda não temos acordos. A comparticipação dos utentes é o valor estabelecido pela Segurança Social para um utente em ERPI” –, mas a instituição já apresentou candidatura ao PROCOOP, “para 80% da capacidade, portanto 24 utentes, e para mais dois no Centro Social”.
O equipamento de Vila Verde acolhe 40 idosos em regime residencial, contando com 30 acordos de cooperação, e apoia outros 40 no SAD, 32 dos quais protocolizados com a Segurança Social. No entanto, os primeiros acordos foram apenas estabelecidos dois anos volvidos sobre o início de atividade.
Para além disto, o CSVH tem ainda o denominado Vale do Homem com Saúde, “que é um projeto integrado na comunidade, uma parceria com 30 juntas de freguesia”, em cujas sedes a instituição faz rastreios de saúde à população, num total de cerca de três mil utentes.
O grande crescimento e o sucesso da instituição prende-se, segundo o seu presidente, com a gestão empresarial que a Direção implementa, sempre assente na sustentabilidade das respostas.
“Temos uma gestão financeira muito empresarial. A saúde financeira está controlada. Não temos dinheiro, mas temos as dívidas controladas. O CSVH deve 1,7 milhões de euros à banca e cumpre religiosamente com toda a gente”, revela Jorge Pereira, sublinhando: “A nossa gestão de recursos humanos é muito empresarial, estamos a pagar acima da tabela, e temos muitas iniciativas motivacionais com os colaboradores”.
Apesar de ter diversos utentes com reformas de 243 euros, o que complica sempre as contas, Jorge Pereira põe a tónica na “boa gestão e no rigor, que são a base da saúde financeira”.
A este propósito, o líder da instituição sedeada em Vila Verde lembra a “coragem” dos dirigentes nas opções tomadas em prol da qualidade dos serviços.
A opção por ter 24 horas de enfermagem nos dois equipamentos revelou-se uma aposta ganha, até porque “permitiu reduzir em 70% as chamadas para o INEM no período noturno”, com todos os ganhos que isso implica.
“A grande dificuldade é a gestão dos recursos humanos. Quem tiver bons edifícios, tem muitos ganhos. No Lar das Termas eliminámos muitos dos problemas de funcionalidade que temos aqui no Centro Social. E com a funcionalidade do edifício pode-se estar logo a ganhar dinheiro nos recursos humanos e na parte financeira”, sustenta Jorge Pereira, que conta com um corpo de 50 funcionários a contrato sem termo, 12 enfermeiros a recibo verde, “para fazerem as noites, com ganhos no bem-estar dos utentes e nas finanças da instituição evidentes”, e ainda mais 10 técnicos de diversas áreas.
E, apesar de acabar de abrir mais um equipamento, o CSVH tem já mais três grandes projetos na forja, com o alargamento da sua área de ação.
“Nesta zona do vale do Homem tem havido alguma desertificação e não se prevê crescimento da população. Por isso, não pensamos, para já, alargar a nossa ação a outras faixas etárias para além da terceira idade”, explica, lembrando que a última revisão dos estatutos da instituição abriu a porta à expansão da instituição, com o distrito de Braga a ser agora a zona de ação e intervenção.
Não tendo intenção de alargar os serviços a outras faixas etárias, o CSVH está apostado na diversificação das respostas, em reconhecimento de uma grande necessidade não apenas no Vale do Homem, mas igualmente em todo o distrito de Braga.
“Estamos na iminência de alargar as respostas para a área da saúde, em especial por causa das demências e da doença mental. Já desafiámos a Administração Regional de Saúde (ARS) Norte e, em caso de alargamento das respostas, será por aí”, afirma Jorge Pereira, lembrando que dos atuais 71 utentes em ERPI, 40 têm demência.
“Somos parceiros da Alzheimer Portugal, temos recebido formação e estamos prontos a abrir as nossas respostas a essa área das demências. Até porque está aberto o PROCOOP para respostas atípicas e estamos já a preparar candidaturas”, sustenta, revelando os três projetos que estão na calha e que têm muito que ver com esta opção pela saúde mental.
“São três projetos na mesma filosofia. O Lar das Demências, que pretendemos implementar num terreno contíguo à sede, que está projetado para 32 utentes e que, assim, poderá beneficiar das sinergias com o edifício do Centro Social. Queremos avançar com essa obra e vamos fazê-lo com ou sem apoios do Estado, desde que tenhamos as parcerias necessárias, ou seja, um banco que acredite no projeto”, frisa Jorge Pereira, prosseguindo com a apresentação dos novos projetos: “A Casa da Citânia é uma parceria com a Câmara de Vila Verde e a Junta de Freguesia de Ponte de S. Vicente, que fica a cerca de cinco quilómetros do Centro Social. Cederam-nos um terreno com uma escola primária desativada, o Centro Social já comprou um terreno adjacente para anexar ao da escola e o projeto está em fase final de licenciamento. Neste projeto dependemos da ARS Norte”.
Sobre a Casa da Citânia, Zélia Lopes, diretora-geral da instituição, começa por dizer que é um “projeto na área da saúde mental com dois polos distintos: um polo na área da saúde mental e outro na da demência”.
No polo da demência a ideia é criar um “Centro de Dia especializado para pessoas com demência”, enquanto o polo na área da saúde mental terá duas respostas diversas: “Uma USO (Unidade Sócio-Ocupacional) e um SAD direcionado para a doença mental, ou seja, distinto do que já temos, quer em termos de equipa, quer em termos de serviços”.
Em termos de capacidade, os responsáveis preveem que serão 30 utentes na USO, outros tantos no Centro de Dia e oito por dia em SAD, o que perfaz também 30 utentes. Assim, no total terá uma capacidade para 90 utentes.
Apesar de a rede ainda estar muito incipiente, a Casa da Citânia é um projeto que os responsáveis pelo CSVH gostariam de ver integrar a RNCCI de Saúde Mental. “Se bem que nos projetos piloto a aposta vai mais para a vertente residencial, havendo apenas duas USO e nenhuma para a nossa região”, lamenta Zélia Lopes, recordando que a Casa da Citânia “é um projeto que visa apoiar as pessoas no pós-alta hospitalar e nesta zona não há respostas para integrar estas pessoas”.
Por fim, o FelizMente Lar, que “nasce de uma oportunidade que surgiu” e o Centro Social não quis deixar passar, apesar de ser no centro de Braga.
“Nós temos que pensar o CSVH a 20, 30 anos e, porventura, com o decréscimo de população no Vale do Homem pode haver falta de idosos no futuro. Por isso, temos que nos saber posicionar. E Gualtar, que é uma das freguesias emblemáticas de Braga, há de ser a nossa porta de entrada e a charneira do Centro Social no seu todo”, assevera Jorge Pereira, revelando o projeto: “A oportunidade é excelente, porque é a Casa da Quinta da Igreja, um edifício antigo e mítico da zona. É um edifício que nos dá para ter um lar de charme e com mais uma ampliação para ter um lar normal, com 40 utentes. Já abrimos as pré-inscrições para sentir o mercado e esperamos que o equipamento entre em funcionamento no último trimestre de 2018”.
Aproveitando um projeto já existente, mas que caiu por falta de financiamento, o Centro Social do Vale do Homem prepara-se para um investimento de 1,7 milhões de euros, números que não assustam os dirigentes da instituição.
“Já fizemos um estudo de viabilidade económico-financeira que nos diz que é viável. É desta forma que trabalhamos, não é com contas de cabeça, mas com a frieza dos números”, assegura o presidente, que aponta a “luz verde para os três projetos”, dada pelo Centro Distrital da Segurança Social de Braga, “pela necessidade que há no distrito deste tipo de respostas”.
“Avançar com estes três projetos em simultâneo não me assusta se cada um deles se apresentar viável por si. O CSVH tem que ter capacidade financeira para cumprir os compromissos, tal como o Lar das Termas e tal como qualquer outro”, afirma.
Para além das respostas sociais já referidas – ERPI, SAD, Vale do Homem com Saúde e Centro de Estimulação para Pessoas com Demência –, o CSVH tem uma forte componente etnográfica e cultural.
“Trabalhamos muito bem a vertente cultural, que é um braço forte do Centro Social. A instituição tem o Grupo Folclórico, que vai fazer nove anos, o Grupo Coral e o Grupo de Teatro, o que nos ajuda a integrar a comunidade”, sublinha Jorge Pereira, que não esquece os pormenores implementados, como o spa vichy e a sala de massagens, entre muitos outros, para cada vez mais melhorar a qualidade de vida dos utentes.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2017-09-18



















editorial

Pela erradicação da pobreza

Outubro está associado à "Erradicação da Pobreza". Pela primeira vez em 1992, a data (dia 17) foi comemorada oficialmente com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser...

Não há inqueritos válidos.

opinião

António José da Silva

O fascínio do poder
O poder, seja este de que tipo for, exerce sempre algum fascínio sobre a maior parte dos homens, e entre os diversos tipos de poder que exercem maior fascínio, está certamente o poder...

opinião

Padre José Maia

Outubro: mês social
A circunstância de, no mês de outubro, se evocarem o Dia do Idoso (dia 1) e o Dia da erradicação da Pobreza (dia 17), inspirou-me a partilha com os leitores de SOLIDARIEDADE de...