ENTREVISTA COM RUBINA LEAL, SECRETÁRIA REGIONAL DA INCLUSÃO E ASSUNTOS SOCIAIS

IPSS são o braço armado da intervenção social

“É importante termos aqui esta chama solidária a percorrer todas as instituições para que as pessoas percebam que temos que cooperar e não competir”, sustenta Rubina Leal, secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, acerca da realização da Festa da Solidariedade no arquipélago da Madeira, considerando que “as IPSS são o braço armado da intervenção social”.

SOLIDARIEDADE – Qual a importância da rede de IPSS da Região Autónoma da Madeira?
RUBINA LEAL – Não tenho qualquer dúvida que as IPSS são o verdadeiro braço armado no trabalho social, não só no âmbito da pobreza, mas também no dos idosos. A forma de trabalharmos juntos na comunidade e a maneira mais eficaz e eficiente, em termos financeiros e de recursos humanos, é trabalhar através das IPSS. É com os nossos parceiros que vinculamos as nossas políticas sociais. Os governos devem, cada vez mais, delegar nas IPSS o trabalho de intervenção social. Cada vez mais temos IPSS especializadas na sua ação e muito mais eficazes e eficientes na sua intervenção, por isso, são os nossos maiores parceiros. Para além disso, são um elemento essencial na busca da coesão social, tanto que, ao longo deste tempo, tentei sempre valorizar e dar visibilidade ao Terceiro Setor, pois criei uma Feira Social e Solidária, um prémio de inovação social e formação para as IPSS a fim de as valorizar.

Na página da internet da Secretaria Regional pode ler-se, logo a abrir, que a «Coesão social é um desígnio regional». Em que sentido?
Porque este Governo Regional sempre delineou e afetou políticas que fossem de encontro aos problemas das pessoas. Primeiro do que tudo, e acho que é um pouco inovador, pelo menos em governos da nossa natureza, é que reconhecemos que havia vários problemas sociais. A exclusão social tem muito que ver com a pobreza e o desemprego e trabalhar essas áreas sempre foi, para nós, uma grande aposta. O que temos feito, em termos de desemprego, que é um grande problema que temos e que tentamos sempre atenuar, é tentar encontrar algumas estratégias de respostas que não sejam só aqueles programas de emprego, como a qualificação dos desempregados ou a reconversão profissional. Aliás, começámos o mandato com uma taxa de 15,8% e hoje temos uma de 10,9%. Para além disto, também apoiamos o empreendedorismo, para que as pessoas criem o seu próprio emprego. Não são os governos que criam empregos, são as empresas, mas o que o Governo tem feito é apoiar as empresas e criar alguns apoios específicos para o empreendedorismo. Por outro lado, a pobreza é muito difícil de ser quantificada, mas o que temos tentado é apoiar as famílias nas suas necessidades básicas. Enquanto não há uma recuperação económica real não podemos deixar de apoiar as famílias. Por isso, continuamos com muitos apoios sociais, que absorveram no ano passado 46 milhões de euros, porque consideramos importante apoiar financeiramente as nossas famílias.

E quais as grandes necessidades sociais da Região?
Neste momento, com o envelhecimento da população, que não é diferente do todo nacional, temos que reforçar as respostas sociais. Não digo que seja com lares, com a institucionalização, mas a minha aposta sempre foi reforçar o Apoio Domiciliário e os outros apoios que temos a estas famílias. O envelhecimento acontece, as demências surgem, daí termos encetado um programa com a Alzheimer Portugal. Precisamos de reforçar o Apoio Domiciliário e também a nossa rede de cuidados continuados, que não existe como a nível nacional. Já solicitei e fiz vários contactos para aumentar a nossa verba de reforço para as IPSS, no sentido de dar uma melhor resposta à nossa população, e já pedi também apoio para a rede de cuidados continuados, mas até agora não obtive qualquer resposta da parte das instâncias governamentais nacionais sobre esta matéria. Pretendia melhorar a nossa capacidade e a qualidade de resposta à população, que passa por dar mais apoio às IPSS para elas darem as respostas no terreno e também por termos uma rede de cuidados continuados.

E qual a importância da realização da Festa da Solidariedade aqui na Madeira?
É importante e que se faça na Região, porque é o todo nacional e é o País que aqui está. É importante porque se as instituições trabalharem em rede, solidariamente entre si, a Madeira cresce e criar sinergias é fundamental. Por isso, é importante termos aqui esta chama solidária a percorrer todas as instituições para que as pessoas percebam que podemos ser complementares uns aos outros, que podemos trabalhar em rede e que temos que cooperar e não competir.

P.V.O.

 

Data de introdução: 2017-05-11



















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