PADRE JOSÉ MAIA

Fanatismo e Terrorismo

As últimas semanas, a partir do 13 de novembro, terroristas jihadistas espalharam o terror em Paris, daí alastrando a Bruxelas, passando depois para o Mali, sem esquecer que, antes, fez explodir um avião a caminho das Rússia, passando ainda pela Tunísia através de um ataque a um autocarro com altas patentes militares… deixaram o Mundo à beira de um ataque de nervos!

A espiral de violência bárbara perpetrada pelo “terrorismo jihadista global” (o auto proclamado Estado Islâmico), que agora se agudizou, começa a mobilizar as opiniões públicas e os Estados para uma “ação concertada” contra estes atentados à vida e aos valores civilizacionais ocidentais.

Em tempo de balanço, fácil se tornará concluir que a criação de vazios de poder, como aconteceu na Síria, na Líbia, no Iraque e na região do Sahel, foram o primeiro erro grosseiro persistentemente cometido pelo Ocidente. Não dá também para entender como a fonte de financiamentos a estes movimentos terroristas é assegurada por países que, de forma farisaica, por um lado, condenam os atentados e depois, por outros, lhes fazem chegar avultados financiamentos para alimentar tais movimentos.

Claro que, hoje, o jihadismo global não se compadece com sanções sobre eventuais financiadores nem se resolve com vistosas ofensivas militares. Os membros desta nova geração de “jihadistas globais” estão dispostos a combater com o que tiverem à mão: armas brancas e de fogo, explosivos e até botijas de gás ou latas de coca-cola (como terá acontecido na explosão do avião que se dirigia para a Rússia).

Em face de tudo isto, impõe-se perguntar:

- O que foi acontecendo nos vários países islâmicos, nos últimos anos, para que esse movimento jihadista terrorista se tenha expandido tanto, nas barbas da comunidade internacional? Que explicações e/ou justificações existem para este fenómeno?

- Deixando agora de lado as causas que poderão estar na génese do terrorismo jihadista em vários países islâmicos (não em todos!), centremos nos países ocidentais a nossa atenção, interrogando-nos sobre eventuais causas de processos de contestação social/ideológica que poderão gerar outras formas de terrorismo, tais como:

- Fenómenos como realojamentos em massa de milhares de famílias sem atender às realidades sociais das pessoas, sobretudo dos jovens, as gritantes desigualdades sociais, processos de empobrecimento coletivo e desemprego em massa que obriga centenas de milhares de cidadãos a buscar na emigração forçada o seu pão nosso de cada dia, conflitos regionais geradores de milhões de refugiados que clamam humanidade e direito a um futuro junto de países europeus, não poderão estar também na génese de movimentos de protesto que poderão evoluir, a qualquer momento, para expressões de violência a grande escala?

- Não terá a Europa de repensar muitas das suas políticas sociais, educativas, culturais e de segurança, no pressuposto de que alguns falhanços nestes domínios poderão estar na génese do êxodo de muitos dos seus jovens para o exército dos terroristas jihadistas?

Pe. José Maia

 

Data de introdução: 2015-12-11



















editorial

CONTINUIDADE DOS CUIDADOS: ENTRE A SAÚDE E O SOCIAL

A perspetiva holística da Pessoa, compreendida integralmente nas suas diversas dimensões, fundamenta a ação do setor social solidário: a Pessoa toda na sua unicidade e também todas as Pessoas. Tal conceção exige que a...

Não há inqueritos válidos.

opinião

JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

A força das IPSS ao serviço do país
No último artigo publicado neste jornal evoquei um ano de pandemia. Aí referi as alterações de comportamento e de atitude a que tivemos que obedecer, os sentimentos de...

opinião

EUGÉNIO FONSECA, PRESIDENTE DA CPV

Reforço dos direitos sociais sem esquecer o acesso ao trabalho
Há dias, a maioria dos grupos parlamentares decidiu determinar a implementação de um conjunto de medidas que tornem menos gravosa a condição de precariedade em que...