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Crónicas

O Natal é todos os dias

O ritual tinha-se instalado de forma imperceptível. Todas as noites o pai entrava no quarto do filho para ler uma história ou um capítulo de um livro em jeito de boa noite. O petiz habituara-se rapidamente a viajar pelas paisagens dos contos infantis, ao som da voz pausada e agradável do pai. Tinha agora dez anos e a memória estava povoada com as histórias clássicas do capuchinho vermelho, dos três porquinhos, da bela adormecida, as fábulas de La Fontaine, dos tradicionais contos portugueses e outros que a fome da curiosidade teimava em consumir.

O ladrão, o barão e o morcão...

O sr. Santos é um ouvinte assíduo do programa de rádio que costumo ajudar a fazer, às sextas de manhã, emitido na região do Grande Porto. Não conhecemos do sr. Santos mais do que a voz, a condição de reformado de uma actividade relacionada com as Finanças e o que as opiniões que partilha nas emissões em directo nos consentem intuir.
Num dos últimos programas o tema principal era a crise financeira mundial, mas o sr. Santos fez um desvio para abordar a temática que a actualidade tinha trazido à tona: o casamento entre homossexuais.

Baixa Scolaridade

O meu filho tem nove anos e não gosta de futebol. Com muita pena minha, já que me revejo na ideia de que o “amor” ao clube pode estreitar laços afectivos e proporcionar momentos de convívio interessantes. Desde pequeno sempre preferiu os jogos de imaginação e as sessões televisivas às brincadeiras de grupo centradas nos movimentos de uma bola. Como pai, convencido da juventude eterna, que ainda contrai umas lesões, armado em jogador de futebol das quintas-feiras à noite, sempre tentei fazer a defesa do desporto-rei pela tradição e pela importância que o futebol assume no nosso país.

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