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 » EDITORIAL
Ano Internacional das Cooperativas
1. As Nações Unidas proclamaram 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas (AIJ). Cooperativa é uma associação autónoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades económicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade colectiva e democraticamente gerida. Cooperativismo é um movimento económico e social, entre pessoas, em que a cooperação baseia-se na participação dos associados, nas actividades económicas (agropecuárias, industriais, comerciais ou prestação de serviços) com vista a atingir o bem comum e a promover uma reforma social dentro do capitalismo.
O Ano Internacional das Cooperativas tem como objectivo aumentar a consciência pública sobre as cooperativas, como beneficiam os seus membros e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico e a realização “Objectivos do Milénio” (reduzir a pobreza extrema e a fome, alcançar o ensino primário universal, promover a igualdade de género e a valorização das mulheres, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e criar uma parceria mundial para o desenvolvimento).
Tudo o que é humano aos humanos deve interessar. Por tal e porque entre nós há uma muito significativa dinâmica cooperativista de solidariedade social (109 cooperativas estão equiparadas a IPSS) é salutar a comunhão ao AIJ.

2. São sete os princípios do cooperativismo:

1. Adesão livre e voluntária
:
as cooperativas são organizações voluntárias abertas a todas as pessoas aptas a usar os seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades de sócios, sem discriminação social, racial, política ou religiosa e de género.
2. Controle democrático pelos sócios: as cooperativas são organizações democráticas controladas pelos sócios que participam activamente no estabelecimento das suas políticas e na tomada de decisões. Homens e mulheres, eleitos como representantes, são responsáveis para com os sócios. Nas cooperativas singulares os sócios têm igualdade na votação (um sócio um voto); as cooperativas de outros graus são também organizadas de maneira democrática.
3. Participação económica dos sócios: os sócios contribuem de forma equitativa e controlam democraticamente o capital das suas cooperativas. Parte desse capital é propriedade comum das cooperativas. Usualmente os sócios recebem juros limitados (se houver algum) sobre o capital, como condição de sociedade. Os sócios destinam as sobras aos seguintes propósitos: desenvolvimento das cooperativas, possibilitando a formação de reservas, parte dessa podendo ser indivisíveis; retorno aos sócios na proporção de suas transacções com as cooperativas e apoio a outras actividades que forem aprovadas pelo sócio.
4. Autonomia e independência: as cooperativas são organizações autónomas para ajuda mútua controladas pelos membros. Entretanto, em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, elas devem fazê-lo em termos que preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham a sua autonomia.
5. Educação, formação e informação: as cooperativas proporcionam educação e formação para os sócios de modo a contribuir efectivamente para o seu desenvolvimento. Eles deverão informar o público em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião, sobre a natureza e os benefícios da cooperação.
6. Cooperação entre cooperativas: as cooperativas atendem os seus sócios mais efectivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
7. Preocupação com a comunidade: as cooperativas trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas aprovadas pelos seus membros.

3. O desenvolvimento económico decorre do crescimento da economia, que deve ser também acompanhado de um processo de produção e de distribuição de riqueza para a população da forma mais igualitária possível. Produção e distribuição de riqueza material e imaterial. Não se pode entender por um completo desenvolvimento económico a situação em que há produção de riqueza nacional acompanhado por uma forte concentração desses resultados, que são apropriados por poucos indivíduos.
Assim quando há problemas no processo de desenvolvimento, o Estado é fundamental para efectivar um processo de distribuição de riqueza, bem como para suprir a sociedade de serviços essenciais capazes de proporcionar o acesso mais igualitário às oportunidades de trabalho e de produção nos sectores económicos. Deste modo, a educação, a saúde, a segurança, o transporte, entre outros, são atribuições inequívocas de políticas públicas, de forma a garantir a qualquer cidadão oportunidade igualitária ao emprego e condições dignas de vida.
Quando o processo de desenvolvimento não é consistente e o Estado é omisso, a sociedade procura caminhos capazes de lhe conferir as condições básicas de inserção nas estruturas de produção e geração de riqueza. A cooperativa é uma arquitectura organizacional excelente para prover a população dessas oportunidades, como também para prover a sociedade de serviços básicos como saúde e educação, inclusive exercendo algumas das funções do Estado.

Lino Maia
Data: 2012-06-11
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - ABRIL 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - MARÇO DE 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - FEVEREIRO 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - JANEIRO 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES-DEZEMBRO 2012
 Sinais para o Mundo
Formação - Acção nas IPSS
Cantinas Sociais
O Estado Social
Orçamento de Estado para 2013
 
Poder e insegurança - por A. J. Silva
A guerra do Iraque e João Paulo II - por A. J. Silva
Um país à mercê dos traficantes? por A.J. Silva
O mesmo conflito, novos contornos - por A.J. Silva
A estratégia do orgulho patriótico- por A. J. Silva
 A.I.T.I. ERVEDOSA DO DOURO
APURO, PORTO
A VOZ DO OPERÁRIO, LISBOA
CASCI, ÍLHAVO
CENTRO SOCIAL DO CANDAL-MARCO
 
O Visto Familiar
O Programa do Governo apresentado pela actual maioria na Assembleia da República, após as últimas eleições legislativas, incluía uma medida inédita, a que chamou o “visto familiar”.
Segundo o Programa – que, recorde-se, foi então aprovado no Parlamento, constituindo, de alguma sorte, o título de legitimação das políticas desde então prosseguidas -, “qualquer iniciativa que seja aprovada em Conselho de Ministros requer a prévia aposição do “visto familiar”, ou seja, uma avaliação quanto ao impacto que tem sobre a vida familiar e o estímulo à natalidade.”
O texto do Programa de Governo, que constitui o ponto de encontro dos projectos do PSD e do CDS para nos regerem durante os 4,5 anos da legislatura, baseava a introdução dessa medida no Programa no entendimento comum de “que as preocupações das famílias são transversais e estão presentes em todas as áreas da governação.”
Ora, o que é o “visto”, para que serve, que função tem?
As IPSS, como sabemos, todos os anos enviam para os serviços da Segurança Social os seus Orçamentos, em Dezembro, e as respectivas Contas, em Abril de cada ano, para verificação da regularidade e do rigor dos lançamentos dos valores recebidos por acordos de cooperação, como se encontra estabelecido na lei.
A tais documentos, a Segurança Social apõe o “visto”, como que a significar que nada há de irregular que se lhes aponte.
  A democracia estará doente?
A recente evocação do dia 25 de Abril veio confrontar-nos com um conjunto de sinais premonitórios de uma democracia que se tem afastado das garantias de liberdade, progresso e bem estar social, consubstanciados nos 3 DDD (descolonização, democracia, desenvolvimento).
Como se já não bastasse a austeridade que a troika nos carregou aos ombros, que tem vindo a destruir empregos, pisar direitos sociais, lançar em situações de extrema pobreza centenas de milhares de famílias, começam a emergir sintomas de conflitualidade entre Órgãos de Soberania, entre Sindicatos e Governo, entre forças partidárias e movimentos sociais que dão sinais de pretenderem uma intervenção cívica mais atuante e organizada no resgate da “democracia” à “partidocracia”.
Onde nos levará esta “espiral de agressividade” na forma de vivermos a nossa convivência democrática que, por um lado, terá de ver acautelados todos os nossos direitos e acolhidos os nossos anseios e clamores por mais justiça social, e, por outro, não poderá enveredar por comportamentos que começam a tipificar indícios de anarquia e insensatez na forma de nos relacionarmos numa sociedade democrática?
Parecemos uma sociedade com papéis trocados: o governo questiona as competências do tribunal constitucional; o Tribunal Constitucional considera suas competências zelar pelo cumprimento da Constituição, indo ao ponto de fazer alterar um orçamento de Estado. Alguns sindicatos pedem, em direto, a demissão do Governo e, a seguir, do Presidente da República.
 
 
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