(6170 Membros inscritos)
E-Mail:  
Password:
 
Se ainda não está registado clique aqui.
Baixa Scolaridade
O meu filho tem nove anos e não gosta de futebol. Com muita pena minha, já que me revejo na ideia de que o “amor” ao clube pode estreitar laços afectivos e proporcionar momentos de convívio interessantes. Desde pequeno sempre preferiu os jogos de imaginação e as sessões televisivas às brincadeiras de grupo centradas nos movimentos de uma bola. Como pai, convencido da juventude eterna, que ainda contrai umas lesões, armado em jogador de futebol das quintas-feiras à noite, sempre tentei fazer a defesa do desporto-rei pela tradição e pela importância que o futebol assume no nosso país.

O F.C. do Porto, nome que ele devolve quando lhe perguntam o clube favorito, ajudou-me na tarefa de o convencer da beleza do jogo. Uma beleza que o meu filho transferiu logo para os cachecóis, camisolas, bonés, barretes e bandeiras que via e até usava nas festas dos campeonatos, na Taça UEFA e Liga dos Campeões, na Avenida dos Aliados, enquanto gritávamos: “Campeões, campeões, nós somos campeões…”
Julguei vencer-lhe a resistência durante o Euro 2004. A campanha vitoriosa da selecção de todos nós deu-me pretexto para gastar mais algum dinheiro em merchandising. Luiz Felipe Scolari transformou-se num ícone de simpatia e uma referência positiva. Eu, rendido à minha conquista, reprimia o desagrado que nutro, há muito, pelo seleccionador e alinhava na euforia folclórica nacional que contagiou o país como uma peste. Afinal, ele tinha convertido o meu filho num adepto. Confirmava-se em minha casa o que se dizia nas discussões de café: mesmo que não percebesse nada de futebol o brasileiro tinha jeito para a condução de homens… e crianças também, concluía eu agradecido.

Ora, aqui há dias, estávamos os dois a ver o Portugal-Sérvia, mais um desafio em que o resultado escondia a tacanhez futebolística, quando de forma ilegal o adversário apontou o golo de um empate com sabor a derrota. Tentava eu desculpar o meu aliado Scolari perante o pequeno companheiro de sofá: “Que grande azar”; “o árbitro é soberano”; “isto também é futebol”… e outras que tais.
De repente, já depois do jogo propriamente dito, as imagens televisivas mostravam Scolari, protegido pela senhora de Caravaggio, a soltar toda a raiva do empate na cara de um atleta sérvio. O futebol depressa deu lugar ao boxe, judo, jogo do empurra e aquele do “segura-me se não…”, tudo jogo sem bola.
O meu filho, com um certo ar decidido e convencido que o caracteriza, levantou-se cheio de estilo e atirou-me ao tapete:
- Oh papá definitivamente não gosto de futebol. É muito violento.
Esta, senhor Scolari, não consigo perdoar-lhe!

Data: 2007-10-09
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - MAIO 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - ABRIL 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - MARÇO DE 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - FEVEREIRO 2013
CARTA ÀS INSTITUIÇÕES - JANEIRO 2013
 Ano europeu dos cidadãos
Sinais para o Mundo
Formação - Acção nas IPSS
Cantinas Sociais
O Estado Social
 
Drones: uma arma controversa - por A. J. Silva
Poder e insegurança - por A. J. Silva
A guerra do Iraque e João Paulo II - por A. J. Silva
Um país à mercê dos traficantes? por A.J. Silva
O mesmo conflito, novos contornos - por A.J. Silva
 A.I.T.I. ERVEDOSA DO DOURO
APURO, PORTO
A VOZ DO OPERÁRIO, LISBOA
CASCI, ÍLHAVO
CENTRO SOCIAL DO CANDAL-MARCO
 
"Entre duas memórias"
(...) É, na verdade, essa a receita que nos tem sido aplicada nos últimos 10 anos.
Mas parece que começa finalmente a perceber-se, nessa Europa a que, pelo que temos visto, não sei se vale a pena pertencermos, que, a partir de certo ponto – a que já chegámos -, a pobreza e o desemprego constituem um risco real para a subsistência da democracia política.
E para a própria acumulação do capital.
E que haverá que voltar a apresentar aos povos da Europa uma escolha verdadeira: uma opção conservadora; ou uma opção progressista.
Após tão largo excurso, voltámos ao ponto de partida, de onde nunca deveríamos ter saído: : “Para um social-democrata poucas coisas mais ofensivas existem do que esta desvalorização da dignidade do trabalho, tratado como uma culpa e um custo, não como uma condição, um direito e um valor.”
Para que lado vai pender, nesse próximo futuro, a social-democracia à portuguesa? (...)
  Perguntar não ofende
Como foi possível, ao longo de tantos anos e com tanta gente com responsabilidade política, institucional e tecnicamente habilitada para preparar, debater, votar e monitorizar orçamentos anuais na Assembleia de República, sem alertar e se opor à monstruosidade e desnorte total das nossas contas públicas? Muita da gente que aparece nas fotografias e imagens televisivas a denunciar a austeridade e a chacina fiscal que nos estão a ser impostas, há muitos anos que anda pela Assembleia da República e apoiou sucessivos governos que nos conduziram à bancarrota em que nos encontramos. Como é que é?
 
 
Para receber a nossa newsletter crie o seu registo aqui.
Até que ponto a crise económica e social vai afectar as IPSS?